Panorama alarmante revela conexão entre violência de gênero, retrocessos educacionais e crescimento do discurso antigênero no país
O que mostram 15 anos de dados sobre feminicídio no Brasil

O Brasil vive uma das maiores crises de violência de gênero do mundo. Nos últimos 15 anos, os registros de feminicídio cresceram de forma contínua, atingindo níveis recordes. Segundo análises recentes, o país contabilizou 1.492 feminicídios em 2024, mantendo a média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Principais dados que explicam a gravidade do cenário
- 64% das vítimas são mulheres negras.
- 80% dos feminicídios são cometidos por parceiros ou ex-parceiros.
- 64% ocorrem dentro da residência da vítima.
- O Brasil registrou 3.870 tentativas de feminicídio em 2024, aumento de 19%.
- A violência contra mulheres cresceu mesmo em anos de queda geral nos homicídios.
Esses indicadores apontam para um padrão sistêmico que relaciona desigualdade, ausência de políticas preventivas, machismo estrutural e retrocessos recentes na educação brasileira — especialmente na abordagem de gênero e diversidade.
Casos emblemáticos que expõem a brutalidade da violência de gênero no Brasil
A seguir, casos citados no documento-base que ganharam repercussão nacional e se tornaram símbolo da escalada da violência:
Maria de Lourdes Freire Matos (Distrito Federal, 2025)
Morta a facada e depois queimada dentro de um quartel de regimento de cavalaria de guardas por um colega de farda após uma discussão.
Tainara Souza Santos (São Paulo, 2025)
Atropelada e arrastada por quase um quilômetro pelo ex-companheiro. O caso ilustrou a falha grave no cumprimento de medidas protetivas e chocou o país pela brutalidade.
Isabele Gomes de Macedo e quatro filhos (Recife, 2025)
Após uma discussão, o agressor incendiou a casa onde a família estava. Isabele e seus quatro filhos pequenos morreram. O episódio intensificou o debate sobre proteção a mulheres e crianças.
Evelin de Souza Saraiva (2025)
Baleada cinco vezes pelo ex-companheiro, que permanece foragido. Representa a reincidência e a impunidade em casos de violência doméstica.
Géssica Moreira de Sousa (Distrito Federal, 2024)
Assassinada com um tiro na cabeça. O caso foi investigado seguindo o novo protocolo que exige tratar toda morte violenta de mulher, inicialmente, como feminicídio.
Essas histórias não são exceções: representam um conjunto crescente de violências extremas que atingem mulheres de todas as idades, classes e regiões.
Como o discurso antigênero influenciou o aumento da violência e silenciou as escolas
O avanço das campanhas contra a educação de gênero (2009–2024)
Nos últimos 15 anos, o Brasil assistiu à ascensão de movimentos políticos e religiosos que atacaram políticas educacionais voltadas à igualdade de gênero. Termos como “ideologia de gênero”, “doutrinação ideológica” e “defesa da família” tornaram-se ferramentas para promover pânico moral e impedir debates fundamentais nas escolas.
Consequências diretas desse apagamento
- Exclusão de gênero e diversidade de planos educacionais, incluindo o PNE.
- Supressão de temas sobre respeito, direitos humanos e prevenção de violência.
- Autocensura docente por medo de perseguição política e judicial.
- Redução do espaço escolar para identificação de abusos e acolhimento a vítimas.
- Aumento da vulnerabilidade de mulheres e jovens LGBTQIAPN+.
Esse conjunto de retrocessos ocorreu em paralelo ao crescimento dos feminicídios — mostrando que a eliminação do debate educacional agrava a violência.
Por que discutir gênero nas escolas reduz feminicídios
Diversos estudos nacionais e internacionais apontam que programas educacionais baseados em equidade de gênero, cidadania e diversidade diminuem significativamente:
- casos de violência doméstica,
- comportamentos agressivos no ambiente escolar,
- episódios de discriminação e bullying,
- índices de violência letal de gênero na vida adulta.
Educação é prevenção
Falar de gênero nas escolas não significa sexualizar crianças. Significa:
- ensinar respeito às diferenças,
- desconstruir padrões de violência,
- criar ambientes seguros,
- fortalecer meninas e meninos,
- reduzir preconceitos contra pessoas LGBTQIAPN+,
- promover cultura de paz.
A ausência desse debate abre espaço para discursos de ódio, desinformação e reprodução de violências que já atingem patamares críticos no país.
O que precisa mudar para enfrentar o feminicídio no Brasil
1. Recolocar gênero e diversidade na educação básica
Com políticas claras, formação docente e materiais didáticos alinhados a direitos humanos.
2. Ampliar a execução do Plano Nacional de Prevenção aos Feminicídios
Apenas 14,7% do orçamento foi utilizado até 2025.
3. Fortalecer medidas protetivas e monitoramento de agressores
É essencial reduzir violações, que hoje atingem 20% dos casos.
4. Promover campanhas contínuas de prevenção
Voltadas à conscientização sobre violência doméstica e igualdade de gênero.
5. Integrar políticas de segurança, assistência social e educação
Para garantir atendimento rápido, acolhimento e prevenção contínua.
Conclusão: sem educação de gênero, o Brasil não conseguirá reduzir o feminicídio
Os dados dos últimos 15 anos deixam claro que a violência contra mulheres não é apenas um problema policial. É um fenômeno social, cultural, estrutural e político. A retirada do debate de gênero das escolas contribuiu para esse cenário, fragilizando gerações de meninas, mulheres e jovens LGBTQIAPN+.
Recolocar a educação para igualdade e diversidade no centro das políticas públicas é uma estratégia urgente e eficaz para salvar vidas — hoje e no futuro.

Somos Sirley Machado Maciel, Doutoranda em Saúde da Comunicação Humana, Mestre, Psicodramatista, Analista Comportamental, Master Coach, Terapeuta, Professora de Oratória, Palestrante, Escritora e Presidente do Intrepeds – Instituto de Treinamento, Pesquisa e Desenvolvimento do Ser e Rui Valese, Doutor em Educação, Professor de Filosofia e História, Analista Comportamental, Master Coach, Palestrante, Escritor e Vice-Presidente do Intrepeds – Instituto de Treinamento, Pesquisa e Desenvolvimento do Ser. Estamos esperando por você.
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